Fibromialgia: novas possibilidades com Cetamina e Estimulação Magnética Transcraniana (EMT)
- Jose Guilherme Giocondo
- há 2 horas
- 3 min de leitura

A fibromialgia é uma condição crônica caracterizada por dor musculoesquelética difusa, fadiga, distúrbios do sono, alterações cognitivas (“fibro fog”) e frequentemente sintomas ansiosos e depressivos.
Mais do que uma doença inflamatória periférica, hoje sabemos que a fibromialgia é um distúrbio de processamento central da dor, envolvendo fenômenos de sensibilização do sistema nervoso central.
Essa compreensão abre espaço para tratamentos que atuam diretamente no cérebro — como a cetamina e a Estimulação Magnética Transcraniana (EMT/TMS).
O que acontece no cérebro da fibromialgia?
Estudos de neuroimagem demonstram:
Hiperatividade em regiões como córtex insular e córtex cingulado anterior
Disfunção no córtex pré-frontal dorsolateral
Redução dos mecanismos descendentes de modulação da dor
Alterações em sistemas glutamatérgicos e GABAérgicos
Em termos simples: o sistema nervoso passa a “amplificar” sinais de dor.
A dor deixa de ser apenas um sintoma periférico e passa a ser uma experiência central amplificada.
Cetamina na fibromialgia
Mecanismo de ação
A cetamina é um antagonista do receptor NMDA (glutamato), atuando na modulação da sensibilização central.
Ela:
Reduz hiperexcitabilidade neural
Modula vias descendentes de dor
Aumenta plasticidade sináptica
Pode melhorar sintomas depressivos associados
A hiperatividade glutamatérgica é um dos pilares fisiopatológicos da fibromialgia — e a cetamina atua diretamente nesse sistema.
Evidências científicas
Estudos mostram que:
Infusões de cetamina podem reduzir dor aguda de forma significativa
Protocolos seriados podem gerar benefício prolongado em alguns pacientes
Há melhora associada de humor e qualidade do sono
Contudo:
Protocolos ainda não são totalmente padronizados
Resposta varia entre indivíduos
Benefício pode exigir sessões repetidas
Em casos de fibromialgia com comorbidade depressiva resistente, o benefício tende a ser ainda mais consistente.
Para quem pode ser indicada?
Pacientes refratários a duloxetina, pregabalina, amitriptilina
Fibromialgia associada a depressão resistente
Dor intensa com grande impacto funcional
Pacientes com padrão de sensibilização central marcante
Sempre com avaliação médica especializada e ambiente monitorado.
EMT (Estimulação Magnética Transcraniana) na fibromialgia
A EMT é uma técnica não invasiva que utiliza campos magnéticos para modular atividade cortical.
Como funciona na dor?
Estimula áreas como:
Córtex pré-frontal dorsolateral
Córtex motor primário
E pode:
Reequilibrar circuitos de modulação da dor
Reduzir percepção dolorosa
Melhorar sintomas cognitivos
Diminuir fadiga
A EMT atua reorganizando redes neurais disfuncionais.
Evidências
Meta-análises sugerem que:
EMT de alta frequência no córtex motor pode reduzir dor
Protocolos de 10–20 sessões mostram benefício clínico moderado
Efeitos podem durar semanas a meses
É considerada segura, com poucos efeitos colaterais (principalmente leve cefaleia transitória).
Comparando Cetamina e EMT
Aspecto | Cetamina | EMT |
Invasividade | Minimante invasiva (EV/SC) | Não invasiva |
Início do efeito | Rápido | Gradual |
Indicação forte em depressão associada | Sim | Sim |
Evidência para dor crônica | Crescente | Moderada |
Manutenção | Pode exigir reforços | Pode exigir ciclos |
Em alguns casos, abordagens podem ser combinadas de forma estratégica.
Importante: não é solução mágica
Fibromialgia exige abordagem multidimensional:
Exercício físico supervisionado
Terapia cognitivo-comportamental
Higiene do sono
Nutrição
Tratamento psiquiátrico quando indicado







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